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Estados Unidos captura Nicolás Maduro após ataque à Venezuela

Estados Unidos captura Nicolás Maduro após ataque à Venezuela

Estados Unidos capturam Nicolás Maduro e sua esposa; Trump afirma que EUA vai administrar o país. Saiba tudo que aconteceu até agora

Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos lançaram um ataque militar à Venezuela, com explosões em Caracas e em outras regiões, além de capturarem o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Segundo o governo norte-americano, a operação foi conduzida pela Força Delta e durou 47 segundos, com o casal sendo levado para Nova York para enfrentar julgamento federal.

O ataque gerou pelo menos sete explosões em Caracas, deixando bairros sem energia e provocando 40 mortes, segundo reportagens internacionais. O governo venezuelano decretou estado de emergência e classificou a ação como agressão imperialista. Enquanto Trump anunciou que os EUA administrarão a Venezuela de forma interina até uma transição legal, reforçando interesse estratégico no petróleo do país, majoritariamente exportado à China.

A operação

Antes da captura, os EUA já haviam realizado ataques com drones, ações contra embarcações “suspeitas de narcotráfico” e operações contra navios petroleiros venezuelanos, aumentando a pressão econômica e militar sobre o país.

Em coletiva de imprensa mais cedo, Trump afirmou que a operação durou apenas 47 segundos. O sequestro foi realizado pela Força Delta, que é uma unidade de elite do Exército dos EUA, especializada em missões secretas e na prisão de alvos considerados

Segundo Trump, helicópteros levaram Maduro e Cilia Flores ao navio anfíbio USS Iwo Jima, da Marinha dos EUA, posicionado no mar do Caribe. Em seguida, eles seguiram para os Estados Unidos, rumo a Nova York, onde ocorrerá o julgamento, ainda sem data prevista.

No entanto, segundo a CBS News, o casal deve ser apresentado a um juiz em um tribunal federal de Manhattan na próxima semana. Além disso, autoridades informaram à emissora que ele deve comparecer ao tribunal já na noite de segunda-feira (5). O Tribunal Federal do Distrito Sul julgará o caso, pois a Procuradoria-Geral dos Estados Unidos denunciou formalmente Maduro e Cilia Flores.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro desembarcou em Nova York por volta das 19h22, após forças dos Estados Unidos o capturarem em solo venezuelano. Ele usava moletom claro com capuz, algemado e escoltado por dezenas de agentes do FBI e da DEA.

Segundo Trump, a operação empregou “poderio militar esmagador”, com ações coordenadas por ar, terra e mar. Ele classificou o ataque como o maior dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial e o chamou de extraordinário, espetacular e brilhante.

Além disso, Trump afirmou que assistiu à captura de Maduro em tempo real, por transmissão realizada por agentes envolvidos na missão.

Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em cerca de 30 minutos. Além disso, moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital.

De acordo com o The New York Times, o ataque matou 40 pessoas.

Por que?

Trump anunciou que grandes empresas de petróleo dos EUA atuarão na Venezuela, prometendo investir bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura do setor. Ele afirmou que a indústria petrolífera venezuelana foi roubada pelo regime socialista e garantiu que os EUA vão fazer o petróleo fluir. O anúncio reforça o interesse estratégico americano nas reservas venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.

Com isso, o ataque à Venezuela e a captura de Maduro e sua esposa indicam que a ação foi uma justificativa para controlar o petróleo venezuelano, cujo, inclusive, o maior comprador é a China.

Ainda, Trump disse que membros do Congresso dos EUA só foram informados após a operação, pois avisá-los antes poderia comprometer a missão por possíveis vazamentos.

Ele afirmou não descartar novas ofensivas e declarou que “maus elementos” do regime ainda permanecem na Venezuela. Além disso, Trump garantiu não ter receio de enviar mais tropas ao país, caso considere necessário.

O governo venezuelano declarou estado de emergência e classificou a ofensiva como uma “agressão imperialista”. Além disso, acusou os EUA de tentar tomar recursos estratégicos, como petróleo e minerais. Caracas afirmou que se reserva o direito à legítima defesa e pediu solidariedade de países da América Latina e do Caribe.

Quem comanda a Venezuela agora?

Trump afirmou que os Estados Unidos administrarão a Venezuela interina, por meio de um grupo ainda não anunciado, até uma transição justa e legal.

Pela Constituição venezuelana, na ausência do presidente, o poder deveria passar à vice-presidente Delcy Rodríguez, porém não há confirmação oficial disso. Assim, o anúncio americano abre uma disputa política e jurídica sobre quem exerce, de fato, o poder no país.

Havia expectativa de que Maria Corina, vencedora do Nobel da Paz e principal líder da oposição venezuelana, assumisse o posto, pois Marco Rubio mantinha contato com ela. No entanto, Trump afirmou “ela não tem apoio nem respeito na Venezuela”.

O Petróleo Venezuelano

A Venezuela lidera o ranking global de petróleo, superando Arábia Saudita e Irã, e retorna como peça-chave na geopolítica internacional após o sequestro de Nicolás Maduro.

Essa relevância aumenta porque aproximadamente 80% do petróleo venezuelano é exportado à China, consolidando o país como ponto sensível na disputa entre Washington e Pequim.

Foto: Divulgação/CNN

A economia venezuelana depende quase exclusivamente do petróleo, que gera 88% das receitas de exportação, estimadas em US$ 24 bilhões (aproximadamente R$130 bilhões), e sustenta grande parte do país.

O setor concentra cerca de 17% das reservas mundiais conhecidas, reforçando a importância estratégica da Venezuela no comércio global de energia e na geopolítica internacional. Atualmente, cerca de 80% do petróleo venezuelano segue para o mercado chinês, movido por mecanismos financeiros e logísticos complexos que contornam as sanções exacerbadas dos Estados Unidos.

Manifestações

Os venezuelanos se dividiram sobre a captura de Nicolás Maduro. Em Caracas, parte da população comemorou a queda do presidente, mas também teme conflitos com o EUA. Venezuelanos pelo mundo celebraram a captura com atos, enquanto protestos contra a intervenção dos EUA ocorreram em Paris, Atenas, Bogotá e cidades americanas além de concentrações na própria Venezuela.

No Brasil, após os ataques dos EUA à Venezuela, manifestantes contrários à operação militar que prendeu Nicolás Maduro protestaram em frente à Embaixada da Venezuela, em Brasília, neste sábado.

Mesmo com chuva, o grupo se concentrou na praça em frente à embaixada, próximo ao monumento de Simón Bolívar, responsável pela independência de seis países latino-americanos no início do século XIX. O ato contou com bandeiras e placas com dizeres como “defendemos a soberania dos povos”.

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Foto: Divulgação/G1

Em Londres, grupos de manifestantes, incluindo membros do Partido Comunista da Grã-Bretanha, protestaram em frente à embaixada dos EUA. Durante a manifestação, os participantes usaram tambores e exibiram bandeiras da Venezuela e da Palestina.

Aos gritos de “Tirem as mãos da Venezuela” e “Libertem Maduro”, criticaram a política externa de Washington e pediram o fim do apoio britânico a operações militares no Caribe. Cartazes traziam frases como “Defendam a Venezuela” e palavras de ordem como “o povo unido jamais será vencido”.

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Foto: Divulgação/CNN

O protesto em Londres ocorre simultaneamente a reações internacionais, com países como Rússia e Cuba classificando a ação dos EUA como “ato de agressão armada” e ataque “criminoso”.

Quem é Nicolás Maduro?

Nicolás Maduro Moros é um político venezuelano que serve como presidente da Venezuela de 2013 a 2026.

Como vice-presidente, assumiu interinamente a presidência em 2012, após a vitória eleitoral de Hugo Chávez, devido à grave doença do presidente eleito. Chávez morreu em 5 de março de 2013, e novas eleições foram convocadas.

Em 14 de abril de 2013, os venezuelanos elegeram Maduro como 57º presidente da Venezuela para cumprir um mandato integral, e ele se reelegeu em 2018 em um pleito controverso, que a oposição e parte da comunidade internacional não reconheceram.

Anteriormente, Maduro havia sido Ministro dos Negócios Estrangeiros de 2006 a 2013. Ele concentra a autoridade estatal e reprime os opositores do seu regime, sendo considerado autocrata.

Em maio de 2018, Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos em uma eleição polêmica, não reconhecida pela oposição, pela Organização dos Estados Americanos e pela União Europeia, além de países como Estados Unidos e Brasil.

Em janeiro de 2019, ele foi empossado para o segundo mandato, o que gerou uma grave crise política interna, pois a Assembleia Nacional não reconheceu sua posse. Vários países retiraram seus embaixadores de Caracas como forma de protesto. Para a oposição, Maduro estava efetivamente transformando a Venezuela em uma ditadura sob seu comando.

Fonte (1) (2) (3) (4) (5). Foto destaque: Click Petróleo e gás.

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Socióloga e publicitária em formação, pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e pela UNOPAR, respectivamente. Atualmente, atuo como redatora do Portal Asia On e do IT Life, além de trabalhar como social media e fazer cobertura de shows e eventos.

Beatriz Marzulo

Socióloga e publicitária em formação, pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e pela UNOPAR, respectivamente. Atualmente, atuo como redatora do Portal Asia On e do IT Life, além de trabalhar como social media e fazer cobertura de shows e eventos.

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